31 de dezembro de 2018

Biografia da Semana: Virginia Woolf


Oi pessoal! Última biografia da semana do ano e falaremos sobre Virginia Woolf, pioneira dos textos feministas. Vamos conhecer mais sobre a autora?

Adelina Virginia Stephen nasceu em 25 de janeiro de 1882, na Inglaterra. Ela foi criada em uma família espetacular. Seu pai, Leslie Stephen era escritor e historiador e também um dos pioneiros e figura importante da era de ouro do montanhismo. Sua mãe, Julia Prinsep Stephen, nasceu na Índia e serviu como modelo para vários pintores. Ela também era enfermeira e escreveu um livro sobre sua profissão. Ambos haviam casado e virado viúvos antes de se casarem um com o outro. Virginia teve três irmãos: Thoby, Vanessa e Adrian; e quatro meio-irmãos: Laura, George, Gerald e Stella. Todos moravam juntos na mesma casa.

Dois de seus irmãos foram educados em Cambridge, e todas as meninas foram educadas em casa. Os seus pais tinham boas relações, tanto socialmente como artisticamente. Da data do seu nascimento até 1895, Virginia passava seus verões em St. Ives, uma cidade litorânea na Inglaterra. Sua casa de verão, que está de pé até hoje, ofereceu uma vista que inspirou seus textos. Nas suas últimas memórias, ela relembrou St. Ives com grande carinho. A vista inspirou Ao Farol (ou Rumo ao Farol), escrito em 1927.

Virginia foi uma jovem curiosa, inteligente e brincalhona. Ela criou um jornal sobre sua família, o Hyde Park Gate News, para documentar as brincadeiras da família. Contudo, traumas sofridos escureceram sua infância, como o fato de ter sido abusada sexualmente pelos seus meio-irmãos George e Gerald. Esse fato ela escreveu nos seus textos em A Sketch of the Past e 22 Hyde Park Gate. Aos 13 anos, ela teve que superar a morte de sua mãe, devido a febre reumática, que a levou à sua primeira crise mental, e a perda da sua meia-irmã Stella dois anos depois, que havia se tornado a chefe da família.

Ao mesmo tempo em que teve que lidar com suas perdas, Virginia continuou seus estudos em alemão, grego e latim no Departamento de Mulheres da King's College London. Seus quatro anos de estudo a apresentaram a várias feministas na liderança das reformas educacionais. Em 1904, seu pai morreu de câncer de estômago, o que contribuiu para sua saúde mental fragilizada e um período internada. Sua dança entre expressão literária e desolação pessoal continuou pelo resto da sua vida. Em 1905, ela começou a escrever profissionalmente como contribuidora para a The Times Literary Suplement. Um ano depois, seu irmão mais velho, Thoby, morreu de febre tifoide depois de uma viagem com a família para a Grécia.

Depois da morte do pai, seus irmãos Vanessa e Adrian venderam a casa em que moravam e compraram uma casa em Bloomsbury, Londres. Durante esse período, Virginia conheceu vários membros do Bloomsbury Group, um círculo de intelectuais e artistas, incluindo o crítico de arte Clive Bell, que casou com Vanessa; o novelista E.M. Forster; o pintor Duncan Grant; o biográfo Lytton Strachey; o economista John Maynard Keynes; o escritor Leonard Woolf, entre outros. O grupo se tornou famoso em 1910 por uma pegadinha na qual membros do grupo se vestiam como uma delegação de pessoas reais da Etiópia, incluindo Virginia fantasiada de um homem barbado e que persuadiu a Marinha Real a mostrar seu navio de guerra, o HMS Dreadnought. Depois desse ato, Virginia e Leonard se tornaram muito próximos e se casaram em 10 de agosto de 1912. Os dois viveram juntos até o resto de suas vidas.

Muitos anos antes de se casar, Virginia havia começado seu primeiro romance. O título original era Melymbrosia. Depois de nove anos de muitos rascunhos, ele foi lançado em 1915 como The Voyage Out. Dois anos depois, os Woolf compraram uma máquina impressora usada e estabeleceram o Hogarth Press, sua própria casa de publicação operada em sua casa. Virginia e Leonard publicaram alguns de seus escritos, como também os trabalhos de Freud, Katharine Mansfield e T.S. Eliot.

Um ano depois do fim da Primeira Guerra Mundial, o casal comprou uma casa de campo na vila de Rodmell, em 1919, e naquele mesmo ano Virginia publicou Noite e Dia, um romance que se passava na época do Rei Edward. Seu terceiro romance, O Quarto de Jacob, foi publicado em 1922. Baseado no seu irmão Thoby, ele foi considerado uma quebra dos seus romances antigos com seus elementos modernistas. Naquele ano, ela conheceu a autora, poetisa e paisagista Vita Sackville-West, esposa do diplomata inglês Harold Nicholson. As duas começaram uma amizade que se desenvolveu em um caso amoroso. E embora o caso tenha terminado, elas continuaram amigas até a morte.

Virginia recebeu elogios para seu quarto romance, Mrs. Dalloway. A fantástica história interligava monólogos e assuntos feministas, doenças mentais e homossexualidade na Inglaterra pós Primeira Guerra. O livro foi adaptado em um filme em 1997, inspirou The Hours, um romance escrito em 1998 por Michael Cunnigan e uma adaptação para o cinema em 2002. Seu romance de 1928, Ao Farol também foi considerado um sucesso de crítica e tido como revolucionário devido a sua forma de contar histórias de forma bem consciente.

Virginia achou sua musa literária na amiga, e essa foi a inspiração para Orlando, escrito em 1928, que fala sobre um nobre inglês que misteriosamente se torna uma mulher aos 30 anos. Esse livro foi um marco para Virginia, que recebeu elogios da crítica por seu trabalho marcante e também chegou a um novo nível de popularidade. Em 1929, Um Teto Todo Seu (ou Um Quarto Só para Si) foi publicado, um texto feminista baseado em palestras que dava em faculdades para mulheres, na qual ela falava sobre o papel das mulheres na literatura. Nesse trabalho, ela estabelece a ideia de que "uma mulher deve ter dinheiro e um lugar para si caso queira escrever ficção". Ela foi além dos limites da narrativa em seu próximo trabalho, As Ondas, 1931, que ela descreveu como sendo um poema brincante, escrito na voz de seis personagens diferentes. Ela publicou Os Anos, o último romance publicado enquanto estava viva, em 1937. No ano seguinte, ela publicou o texto Three Guineas, que continuava as temáticas feministas que abordou anteriormente.

Através de sua carreira, Virginia falou frequentemente em faculdades e universidades, escreveu cartas dramáticas, textos tocantes e publicou vários contos. Em torno dos seus 40 anos, ela já estava estabelecida como uma intelectual, uma escritora inovadora e influente e uma pioneira no feminismo. Sua habilidade de equilibrar cenas surreais com falas profundas no roteiro deram a ela grande respeito entre seus iguais e o público. Apesar de seu sucesso, ela continuava a sofrer com mudanças de humor e crises depressivas.

Seu marido que sempre esteve ao seu lado, estava ciente dos sinais que apontavam para a queda da sua esposa na depressão. Ele viu, enquanto ela estava trabalhando no que seria seu manuscrito final (Entre os Atos), que ela estava caindo em profundo desespero. Na época, a Segunda Guerra Mundial estava acontecendo e o casal decidiu que se a Inglaterra fosse invadida pela Alemanha, eles cometeriam suicídio juntos, temendo por Leonard que era judeu. Em 1940, a casa do casal foi destruída pelo bombardeio alemão.

Incapaz de lidar com o desespero, Virgina encheu seus bolsos de pedras e foi até o rio Ouse, em 28 de março de 1941. Enquanto entrava na água, o rio a levava consigo. As autoridades acharam seu corpo três semanas depois. Leonard cremou o corpo da esposa e suas cinzas foram jogadas sob sua casa. Embora sua popularidade diminuiu depois da Segunda Guerra, seu trabalho ressurgiu com força na década de 70 devido a uma nova geração de feministas. A autora ainda é uma das escritoras mais influentes do século XIX.

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