28 de fevereiro de 2019

O que precisamos saber sobre a crise editorial no Brasil



Ano passado nós fomos supreendidos com várias notícias revelando a crise que o mercado editorial enfrenta no Brasil. Quem não lembra do anúncio da Livraria Saraiva informando que algumas filiais seriam fechadas? A livraria Cultura fechou suas filiais de Recife e mais duas no Rio. A Fnac fechou todas as lojas no Brasil. Em todos os casos, as editoras levaram calotes de quantias muito expressivas, agravando uma situação que já está bem complicada. Já podemos considerar que essa é uma das maiores crises do mercado editorial e livreiro da história.

Mas o que pode ser a causa da exaustão de um modelo já tão consolidado em nosso país?  Eu não sou nenhuma expert em economia e nem estudo a fundo todas as variáveis dessa crise, mas na minha opinião de leitora assídua e consumidora, acredito que muitas livrarias não levaram em conta as mudanças ocorridas no mercado ao longo dos anos. As pessoas estão lendo cada vez menos livros físicos. Por exemplo, eu mesma troquei o peso do livro físico e o cheirinho de novo, pela praticidade do Kindle: levo quantos livros eu quero para todo lugar, sem me preocupar com o peso nos ombros e nas costas. 

Várias vezes eu já ouvi a frase "nada vai substituir o livro físico!", também vejo essa premissa como um dos fatores para a crise. Livrarias e editoras podem ter se confiado demais nisso e não pararam para pensar em se adaptar à nova demanda que surgia. E aí sempre voltam à tona as velhas desculpas "o brasileiro não lê muito", "o governo não ajuda". Mas para mim é justamente ao contrário, nunca vi tantas pessoas lendo como hoje em dia, tanto que existem nichos em redes sociais dedicadas apenas ao amantes dos livros e leituras (experimente procurar as hashtags "bookstagram e instaliterario no Instagram e se surpreenda). E nesse cenário, não podemos esquecer do audiobook, que apesar de não tão popular, já tem um mercado consolidado. 

Quando pesquisei sobre essa crise para fazer esse post, vi que algumas mentes brilhantes (sarcasmo, tá?) sugeriram a Lei do Preço Único como solução. Ou seja, uma lei onde todos os livros teriam o mesmo preço independente de onde o consumidor comprasse. E parando para pensar, só beneficiaria a quem? A nós leitores é que não. Na verdade, é apenas um impedimento para que o comércio eletrônico não dê descontos nos livros. Aliás, o comércio eletrônico vem se destacando nas vendas de livros justamente por preços atraentes e melhores formas de pagamento. Muitas pessoas preferem comprar livros on-line devido às melhores condições de preço.

Em anos anteriores se falou tanto da crise econômica no Brasil, mas obviamente o mercado editorial não se preparou. Tratou tudo como números e achou que nunca seriam atingidos. Agora, tanto as livrarias como as editoras estão buscando outras alternativas e fazendo o possível para que a conta feche. Alguns gestores até acreditam que a crise não é no modelo e sim na gestão das livrarias.

Uma coisa é certa, a crise não é de consumo. O mercado editorial e livreiro precisa se reinventar e rápido. 


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